sábado, 23 de maio de 2015

Pastéis de nata


Pastéis e não pasteis, como querem que escreva segundo o novo acordo ortográfico.
 "Pasteis"  para mim vem do verbo pastar, e fico com a ideia que mando alguém pastar (nada que por vezes não me apeteça).
"Que vós pasteis pelos montes".



Quem não gosta de um pastel de nata??
Um pastel cheio de história e conhecido mundialmente.
Para mim também tem história.
Parece impossível mas estes bolos foram dos primeiros que fiz ainda em miúda.
A receita que segui na época não foi esta, foi uma da Maria de Lurdes Modesto, que é muito idêntica a esta.
Eram feitos no forno a lenha, não havia cá regulação de temperatura e a massa folhada feita à mão por mim.
A minha avó e mãe coziam o pão e aqui a menina fazia os pastéis.
As formas foram-me dadas pela minha avó.
Tanto chateei que um dia ela viu as formas à venda numa feira e comprou uma dúzia delas.
Ainda são as que uso hoje, são mais pequenas que as que se vendem agora.
Sempre que olho para elas lembro-me da minha avó Rosa.
A avó Rosa a matriarca da família.
Ficou viúva com trinta anos, lutou e comeu o pão que o diabo amassou para criar e encaminhar sozinha as 4 filhas.
Uma mulher super exigente com as filhas e com uma paciência incrível, um carinho infinito para os netos e mais tarde os bisnetos.
Todos lhe pedíamos opinião sobre fosse o que fosse.
Morreu aos 92 anos, e mesmo com esta idade foi uma partida muito chorada e dolorosa.
Não deixou bens, mas deixou-nos a maior herança que uma avó nos pode deixar.
A coragem, a determinação, a força e garra de uma mulher que lutou sozinha.
Avó sei que onde quer que estejas contínuas a velar por nós.


Receita adaptada do livro Tesouros da Cozinha Tradicional Portuguesa, edição de 1984, pág 296.

Não ficaram os mais lindos pastéis de nata, mas ficaram deliciosos.

Ingredientes (rendeu 16 pastéis)

Massa
300 g de farinha
250 g de margarina para folhados
sal e água q.b.

(ou duas embalagens de massa folhada de compra)


Creme
200 ml de natas
4 gemas
25 g de maizena
1 colher -sopa- farinha sem fermento
50 ml de leite


Calda
250 g de açucar
125 ml de água

Se pretender fazer a massa folhada
Mistura a farinha e o sal diluído e trabalhe a massa até a ligar.
Divida a margarina em 3 porções.
Estenda a massa, espalhe sobre ela uma das porções de margarina e enrole como um tapete.
Repita esta operação mais duas vezes, até esgotar a margarina.
No final, deixe descansar 20 minutos.
Em seguida corte a massa em fatias com cerca de 2 cm de espessura e depois coloque cada fatia sobre uma forma lisa própria para queques; rode com os dois polegares a forma num sentido, espalhando a massa de modo a encher com ela a forma toda.

Se vai usar massa folhada de compra comece por fazer o creme para que arrefeça.
Num tacho coloque a água e o açucar para fazer a calda.
Deixe ferver cerca de 3 minutos e retire do lume,
Reserve.


Noutro tacho leve as natas ao lume para amornarem, não as deixe ferver.
Numa tigela misture as farinhas, junte as gemas e bata bem. Adicione o leite e misture bem para não ganhar grumos.
 Junte as natas mornas à mistura das gemas e mexa bem até todos os ingredientes estarem bem misturados.
Leve a lume baixo mexendo sempre com uma vara de arames durante uns segundos até o creme começar espessar.
Retire do lume e junte a calda de açucar.
Mexa e bata bem com a vara de arames para ficar um creme homogéneo.
Deixe arrefecer.


Se achar necessário unte as formas que vai usar.

Pré aqueça o forno a 200 º

Estenda a massa folhada e se possível que fique num rectângulo. Volte a enrolar a massa e corte rodelas de massa com cerca de 2 cm. Coloque na forma e com os polegares estique bem a massa até a forma ficar toda forrada, faça um rebordo de massa um pouco maior que a altura da forma.
Repita até ter todas as formas forradas.
Reserve no frigorífico até usar.





Com uma colher, usei a de gelados, deite o creme nas formas não enchendo totalmente.
Leve a cozer cerca de 25 minutos, ou até o creme e a massa estarem tostados.
Retire do forno e deixe arrefecer antes de desenformar.
Passe uma faca a toda a volta da forma para ajudar a desenformar
Sirva os pastéis frios, ou ainda mornos.
Pode polvilhar com canela ou açucar em pó e muita força para resistir e não comer mais que um.





Notas:
Usei massa folhada de compra.
A massa já estava quase no fim da validade e por isso um pouco seca.
Estendi a massa, borrifei-a com um pouco de água e voltei a enrolar a massa.
Assim ficou húmida e não se partiu ao cortar.
Não untei as formas porque a massa folhada tem muita gordura e não acho necessidade disso, se achar necessário faça-o.
Não deve deixar o creme ferver muito tempo ou vai ficar com queijadas e não pastéis de nata.
O forno deve estar bem quente quando coloca os pastéis no forno.
As minhas formas são pequenas em formas maiores deve render 12 a 14 pastéis.