Penso que já escrevi aqui várias vezes, que o cheirinho do pão a cozer no forno transporta-me para a minha infância. Que maravilha. Que sensação de conforto. Sinto-me embalada nos braços da minha avó Rosa e da minha tia Emília. Que nostalgia. Que saudades.
Recordo-me quando faziam brindeiras com sardinhas ou torresmos para os crescidos e para os pequenos com azeite e açúcar amarelo. Que saudades de sentir aquele sabor.
Tive mulheres na minha infância que me ensinaram tudo.
Ainda não se falava no desperdício zero e já fazia parte dos ensinamentos delas. Tudo era aproveitado. Se havia sobras eram transformadas em pastéis, pataniscas, roupa velha ou empadão.
Ensinaram-me a semear batatas, feijão, milho, ervilhas, favas... ensinaram-me a regar e cuidar das sementeiras. Ensinaram-me a fazer a colheita. Ensinaram-me a guardar os produtos para que durassem até a próxima colheita.
Ensinaram-me a tratar e cuidar da fruta colhida.
Ensinaram-me a tirar água de um poço com um balde para as regas e para os animais.
Ensinaram-me a tratar, cuidar e respeitar os animais.
Ensinaram-me a ir buscar lenha ao pinhal, cortar e empilhar para guardar. Ensinaram-me a cozinhar numa fornalha e num forno de lenha. Ensinaram-me a arear as panelas mascarradas pelo lume.
Ensinaram-me a fazer salmouras para preservar a carne numa arca de madeira.
Ensinaram-me a tricotar, a fazer crochet e a bordar.
Ensinaram-me a costurar, e tentaram durante anos, mas desistiram. É das tarefas em que ainda hoje sou uma nulidade.
A minha mãe contava que quando o meu cordão umbilical caiu, a minha tia e a minha avó disseram para ela guardar o cordão embrulhado em papel na caixa de costura, para eu ser habilidosa. Tanta vez elas disseram que os ratos deviam de ter roubado o cordão, porque a minha habilidade para coser com uma agulha não era nenhuma.
Preparam-me para saber viver quase sem nada. Na época não entendia porque tinha de aprender. Hoje estou-lhes muito grata e lamento não ter sabido ou podido passar alguns destes ensinamentos à minha filha.
Ingredientes:
225 g de farinha de trigo sem fermento
1 colher-sobremesa- de fermento seco de padeiro
1 colher- café- de sal
1 colher-sopa- de azeite
1 colher-sobremesa de açúcar
160 ml de água morna (+ ou -)
farinha qb para polvilhar
Recheio
18 fatias de chourição
4 fatias queijo cheddar
oregãos secos
Amorne a água.
Coloque na taça da batedeira, ou numa tigela a farinha. Num lado coloque o fermento, do outro lado coloque o sal, o azeite e o açúcar. Ligue a batedeira usando o gancho de amassar e vá juntando a água a pouco e pouco. Deixe amassar 5 minutos. Interrompendo a meio, para com a ajuda de uma espátula raspar a massa que possa ter colado à taça. A massa deve ficar colada ao gancho e não há taça. Só assim ficará elástica e fácil de trabalhar.
Tape a taça e deixe levedar em local abrigado de correntes de ar 1 hora, ou até a massa ter duplicado de volume.
Deite a massa numa superfície polvilhada com farinha e com as mão estique até fazer um retângulo.
Preencha o retângulo com o chourição, no meio coloque o queijo. Polvilhe com os oregãos. Enrole, pressione as pontas para que fiquem bem fechadas. Vire para que o fecho da massa fique para baixo. Coloque num tabuleiro polvilhado com farinha.
Polvilhe o pão com farinha, tape com um pano de cozinha e deixe repousar 15 minutos. Nesse tempo pré aqueça o forno a 200º.
Com uma faca de serrilha dê uns cortes no pão e leve a cozer no forno a 200º durante 18 a 25 minutos.
Nos últimos minutos de cozedura ligue a ventilação do forno para que fique dourado.
Retire do forno e deixe arrefecer numa grelha.
Deixe arrefecer um pouco.
Sirva com um bom café num lanche, ou com uma sopa num jantar de sofá, ou ainda como entrada.
Notas: O tempo de cozedura é de 20 a 25 minutos segundo a autora da receita. No meu forno passados 18 minutos estava cozido. Por isso vá vigiando e acerte o tempo consoante o seu forno.
A receita original leva 200 g de farinha de trigo e 25 g de centeio. Como não tinha de centeio usei a de trigo.
Acrescente a água a pouco e pouco, não tive necessidade de usar a água toda.
Não tive qualquer problema em esticar a massa, mas na receita original há uma nota em que aconselha se a massa encolher quando a tenta esticar, deixe-a repousar 5 minutos e depois volte a tentar.